BRAGA 1  2008

Fotos: Rui Queirós Texto: Ricardo Grilo

 

 Num fim de semana marcado pela crise que, por razões várias, assola os campeonatos de clássicos portugueses, o circuito de Braga voltou a receber a caravana da velocidade nacional. A prova rainha foi, ou pelo menos deveria ter sido, a dos clássicos com cilindrada acima dos 1300cc, mas a ausência de alguns dos principais protagonistas (que correram em Hockeheim nesse dia) retirou algum brilho a uma competição que, com o fim dos sport-protótipos, perdeu muito do seu natural interesse.

Cedo se viu que as provas seria disputadas entre o Ford Escort RS de António Nogueira e o Porsche Carrera RSR que Alexandre Rebelo tinha estreado no Estoril. A primeira das duas corridas viu o piloto do carro britânico a vencer, apesar do piloto alegar alguns problemas na caixa de velocidades. Rebelo perdeu o contacto com o comandante quando fez um pião, no óleo deixado pelo VW 1302S de José Castro. 

Na segunda, Rebelo assumiu o comando para não mais o largar, numa operação facilitada pela posterior desistência de António Nogueira.

 

"Maximum attack!" Mantendo-se fiel ao estilo adquirido em 40 anos como "rallyeman", Alexandre Rebelo será, provavelmente, o piloto mais espectacular da velocidade nacional. Apesar de, por vezes, algumas das suas trajectórias pouco ortodoxas poderem não ser as ideais em termos de eficiência, servem no entanto para animar os espectadores e adversários e para evidenciar o notável domínio que o piloto madeirense detém sobre os seus Porsche. Na foto, um momento da luta pelo comando da prova, com António Nogueira.  (foto: Rui Queirós)

Em "contra-brecagem" a caminho do seu primeiro triunfo absoluto no CPCV... assinalando do melhor modo a estreia do logótipo Sportscar Portugal no seu novo Porsche.  (foto: Rui Queirós)

Domingos Sousa Coutinho e Kiko Mora, no renovado Escort que este ano surgiu totalmente renovado e com um aspecto muito mais interessante que no ano transacto.  (foto: Rui Queirós)

Saída nos "esses" do BMW de Coutinho.   (foto: Rui Queirós)

Braga correspondeu à vez de António Paquete pilotar o  MG Midget que partilha com o seu cunhado, António Januário. (foto: Rui Queirós)

Moento animado do duelo entre Paulo Antunes e Fernando Soares. (foto: Rui Queirós)

Bernarodo Sá Nogueira fez uma breve aparição nos clássicos, sempre ao volante de um Alfa Romeo, como não podia deixar de ser. (foto: Rui Queirós)

José Carlos Torres, com o Datsun 1200 Coupé no estaleiro, alinhou ao volante do Austin 1275 GT de Fernando Carneiro. (foto: Rui Queirós)

Apesar dos esforços de Fernando Soares e Paulo Antunes, Luís Alegria venceu à vontade as duas corridas dos 1300, tornando evidente que, neste momento, o seu  Datsun 1200está fora do alcance dos adversários do CPCV 1300.  (foto: Rui Queirós)

 

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ALEXANDRE REBELO

 

O vencedor da segunda prova do CPCV em Braga é já um piloto veterano com mais de 40 anos de experiência. No entanto, apenas se estreou em provas de velocidade em 2007...

 

Nascido na Ilha da Madeira há mais de seis décadas, Alexandre Rebelo começou a correr em 1968, com um Mini 850 " equipado com uma cabeça de Cooper". Desde então, não mais pararia de correr, quer como piloto de rampas e ralis, quer mesmo como navegador, como sucedeu quando se sentou ao lado de Giovanni Salvi numa Volta à Ilha da Madeira.

Muitos foram os carros que utilizou ao longo da carreira, entre os quais se destaca um Ford Escort 1300 Mk1 , equipado artesanalmente com motor Lotus, que lhe permitiu obter o único título de campeão (até agora), quando venceu o regional de rampas em 1971. Confiante nas suas capacidades, após a volta à ilha da Madeira de 1972 adquiriu o Porsche 911 ST, vulgo "Bomba Verde" a Américo Nunes, com o objectivo de vencer a Volta à sua Ilha no ano seguinte. Na realidade, o sonho de qualquer piloto local. Para começo das hostilidades, Rebelo começou por triunfar na prova de estreia, o Rali Tap da Madeira. Depois vieram mais triunfos "noutros ralis e rampas que já não me recordo o nome". Foi como um ano de treinos, com o objectivo de em 1973 atacar os principais pilotos na maior prova local, a Volta à Madeira. "Teria vencido, se o carro tivesse colaborado", recorda hoje Rebelo. "Quando o motor deixou de falhar o diferencial decidiu gripar, mas em treinos ou em outros ralis que usavam os mesmos troços eu conseguia andar mais rápido que os pilotos do continente, mesmo do que o Américo com o Carrera RS ou o Gomes Pereira e o Salvi, com o Opel e com o Porsche 911".

 

Com o 911 ST  "Bomba Verde", em 1972, a caminho do triunfo no rali do Grupo Cultural e Desportivo da Tap, na Madeira.

 

Sempre dividido entre as rampas e os ralis madeirenses, ao longo dos anos Rebelo conheceu mais carros, como o Datsun 2000 ex-José Lampreia, protótipo que o entreposto tinha feito à imagem do carro com que o casal Van Bergen venceu a Volta a Portugal de 1970. Depois o BMW 2002, Datsun 240Z, Opel Kadett GT/E, Peugeot 205 GTi, "um belo carro", o Lancia Delta HF adquirido à equipa Astra e, por fim, um Porsche Carrera RS adquirido na Áustria: "com esse carro venci alguns ralis de clássicos, entre os quais o rali de Sta Cruz e o da Camacha". Rebelo venceu muitas provas e disputou o comando de muitas mais. "No entanto nunca tive espírito ganhador. Acho que tinha demasiado fair play e fui sempre muito amador. O dito espírito ganhador veio com a idade e acho que tenho agora mais vontade de vencer do que no passado". No entanto, Rebelo sempre foi muito aguerrido e espectacular na condução dos seus carros, levados ao limite sempre que possível. Foi com esse mesmo Porsche, adaptado para circuitos na Sportclasse, em Lisboa, que veio para o continente e se estreou no Campeonato Nacional de Clássicos de Velocidade, em 2007. Rapidamente começou a dar nas vistas, pelo seu estilo "rali" adquirido em 40 anos de competições nas estradas sinuosas sua ilha da Madeira e os resultados começaram a surgir à medida que foi adaptando a sua pilotagem e as especificações do Porsche às exigências das provas de velocidade.

Para 2008 novo passo foi dado com a aquisição de um novo Porsche, desta vez um Carrera RSR adquirido na Alemanha e que lhe permitiu o primeiro triunfo absoluto numa prova do CPCV.

 

 

Subida na neve, com o Datsun 2000 protótipo, na Rampa do Santo Poiso.

Velocidade na Granja do Marquês, com o antigo Porsche Carrera RS que anteriormente tinha usado com algum sucesso no campeonato regional madeirense.  Este carro, adquirido na Áustria, foi sendo modificado a partir de 2007, pela Sportclasse, de modo a adaptá-lo melhor às necessidades das provas de circuito.

A arma absoluta? Para o CPCV de 2008 Rebelo estreou este novo Porsche Carrera RSR, adquirido na Alemanha, que lhe permite disputar o comando das provas em que participa.

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