VILA REAL 2008
Realizou-se mais um circuito de Vila Real, pela segunda vez consecutiva desta nova fase. Como todos sabem, a mais mítica prova actualmente existente em Portugal disputa-se numa pista cheia de tradições, com um traçado técnico e interessante que constitui um desafio para todos os concorrentes. Assim, por um momento, o marasmo em que vive a velocidade nacional foi contrariado, tendo aparecido numeroso público e muito mais concorrentes do que nas duas provas que antecederam o circuito transmontano, ou mais exactamente, os circuitos ACDME1 e Braga1.
Divulgadas que estão as descrições das diversas corridas, nesta reportagem vamos dar atenção essencialmente à imagem. Desse modo, apresentamos aqui algumas das fotos que a nossa equipa fez ao longo do fim de semana mágico de Vila Real.

Carlos Barbot no impressionante Porsche 935 K3 ex-Interscope. De modo paradoxal, o carro que neste circuito de Vila Real terá ficado na memória de todos, não pode participar normalmente nas provas de clássicos nacionais, limitadas aos Grupos 1, 2, 3 e 4. Um detalhe a corrigir no futuro? (Rui Queirós)

Grelha de partida do Campeonato de Portugal de Resistência, potencialmente a prova rainha da velocidade nacional, mas que ainda está a dar os primeiros passos . Em primeiro plano o vencedor, Pedro Salvador, ao volante do Juno SSE. (Ricardo Grilo)

O Porsche Carrera RS de João Carlos Torres é o único clássico a correr no campeonato de resistência. Vicissitudes da vida de um fotógrafo, nada convenceu a sorridente menina que eu apenas pretendia fotografar o carro e não os seus dotes...

Tal como no ano anterior, António Coimbra e o Porsche 911 GT2 foram, mais uma vez, brilhantes nas primeiras voltas da corrida. Na imagem, quando liderava, perseguido de perto pelo Juno SSE do futuro vencedor. (Rui Queirós)

António Nogueira e o Marcos LM600 num cenário único e intemporal que Vila Real tão bem soube preservar. (Rui Queirós)

Menos público que no ano transacto, mas mesmo assim uma impressionante moldura humana em volta do circuito, numa das nossas fotos favoritas de Vila Real 2008

Momento quente: partida da derradeira corrida do CPCC, com a primeira linha da grelha partilhada pelos dois vencedores da tarde, António Barros e Joaquim Jorge.

Momento da acção, na mítica recta de Mateus.

Carlos Filipe Santos e António Nogueira num animado momento da luta pelos lugares cimeiros do Campeonato de Portugal de Clássicos. Verdadeiramente notável, Nogueira revelou uma resistência física muito elevada, tendo feito 4 corridas quase consecutivas ao longo da quente tarde estival que envolveu a região de Vila Real. (Ricardo Grilo)

Alexandre Guimarães, regressou às competições e demonstrou continuar em excelente forma, apesar do motor estar já no terceiro ano de competições, sem qualquer revisão. (Manuel Taboada)

Alexandre Guimarães e Domingos Sousa Coutinho, num momento da luta que os opôs ao longo da prova. O BMW surgiu revisto a nível de suspensões, rótulas e direcção e aparenta estar muito mais equilibrado que no passado. (Manuel Taboada)

A luta no segundo pelotão foi intensa, por vezes muito intensa: na imagem o momento de um pequeno toque entre Kiko Mora e o regressado Manuel Neto que, diga-se de passagem, realizou uma excelente prova em Vila Real. O seu Escort RS 1800 é um modelo de ralis que nossado pertenceu ao piloto "Ojuara" e que agora foi equipado com um novo motor a debitar cerca de 255 cv . Em Vila Real foi o único dos Escort competitivos que ainda utilizou as antigas jantes Minilite de 13 polegadas, típicas dos RS 1800 do passado. (Manuel Taboada)

Acção: Em perseguição a Kiko Mora, Domingos Sousa Coutinho acabou por dar um toque na guarda metálica da rotunda de entrada da recta da meta...

Instantes antes do toque de Coutinho. Alexandre Guimarães, sempre expedito, conseguiu contornar o grande BMW pelo espaço livre à direita, mas F. Pinto que vinha mais atrás, travou a fundo...

... e colidiu frontalmente com os rails, concluindo assim o duelo entre o animado pelotão, pois a prova seria interrompida de seguida.

Prova ultrapassada: Alexandre Rebelo sabia que em Vila Real (que desconhecia totalmente) dificilmente poderia alcançar Barros, Joaquim Jorge e Carlos Filipe Santos e, como tal, optou por uma corrida táctica "à Giannone" esperando que os seus adversários se auto-eliminassem, como de facto sucedeu na segunda corrida, onde o Porsche verde ficou em segundo da geral. Rebelo saiu assim de Vila Real à frente do campeonato. (Manuel Taboada)

A partida estática da prova dos 30 anos do CAVR, com alguns dos concorrentes da retaguarda a revelarem-se muito despachados no arranque...

O carro mais impressionante do fim-de-semana e o preferido da maioria dos entusiastas foi este Porsche 935 K3 de Carlos Barbot, erradamente referido nos media por "Moby Dick". Infelizmente, as viaturas de Grupo 5, como este Porsche ex-Interscope do campeonato IMSA americano, não são permitidos nas provas nacionais de clássicos e como tal não podem aparecer senão em ocasiões muito particulares, como nesta prova comemorativa dos 30 anos do CAVR. (Ricardo Grilo)

Outra perspectiva do mesmo K3, aqui em luta com o Audi 80 Coupé quattro de António Nogueira. (Rui Queirós)

A corrida dos 30 anos do CAVR permitiu a rara aparição dos BRC "da montanha" em provas de pista, onde normalmente eles não são admitidos devido à ausência do fundo plano.
Ausente da maioria das provas do CPCC 1300 de 2008, Veloso Amaral aproveitou as condições de inscrição oferecidas pelo CAVR para a corrida dos 30 anos (uma fórmula que merecia ser estendida às competições nacionais) e alinhou com o seu habitual Hilman Imp. O único carro com motor de "1 litro" partiu do 25º posto da grelha e concluiu a corrida no 14º lugar, a classificação permitida pela caixa de velocidades pouco colaborante e praticamente sempre bloqueada em 4ª. Recorde-se que este piloto, incansável entusiasta do desporto automóvel, já tinha corrido com um modelo idêntico no circuito transmontano de 2007 e... de 1979. Os tempos mudam e agora, quase três décadas mais tarde, a filha já não viaja a dormitar no banco de trás do carro, na longa jornada entre Lisboa e Vila Real, mas mantêm-se a companhia da sua inseparável Maria da Conceição, a companheira de sempre. Caso único no panorama nacional, o casal Veloso do Amaral deverá contabilizar facilmente o recorde nacional de presenças em ralis e circuitos, sempre assíduos ao longo de três décadas e meia.

Patrão fora... A desistência de Luís Alegria permitiu novos vencedores entre os 1300. Desse modo, Paulo Lagoa veio criar alguma animação e variedade ao campeonato, sendo o primeiro numa das corridas, com o Fiat 128 Coupé preparado pela Fabrica Italiana. Como o nome bem indica, a Fabrica Italiana, preparador de Paços de Ferreira, dedica-se em exclusivo às mecânicas transalpinas e possui vários carros a correr no CPCC 1300, tanto a nível "oficial" como o Alfasud de Alexandre Beirão, como entregues a clientes "privados" como é o caso do 128 de Lagoa. Sem ter um chassis tão equilibrado como os Alfasud, este Fiat de Grupo 2 pesa 760 kg e é impulsionado por um motor super quadrado, de concepção que se adapta muito bem à prática desportiva e que, no estado actual, desenvolve cerca de 150 cv. (Rui Queirós)
Fotos de Manuel Taboada, Rui Queirós e Ricardo Grilo
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